
A maior torcida do Brasil.
82.044 pagantes assistiram à vitória de 2 a 0 do Flamengo sobre o Atlético-PR ontem, no Maracanâ. Com a derrota do Cruzeiro, o Flamengo se classificou para sua nona Taça Libertadoras da América.
Feito incrível, maior virada que já ocorreu: de penúltimo colocado, no início do segundo turno, ao terceiro lugar, com uma rodada para o término do campeonato brasileiro.
Anotem aí: Flamengo e Boca Juniors, Bombonera e Maracanã, na finalíssima de 2008. Estarei lá.
Estréia hoje outro forte candidato ao título em português mais estúpido da História: Viagem a Darjeeling.
No Festival do Rio, o o novo e ótimo longa-metragem de Wes Anderson foi exibido como "O Expresso Darjeeling", de acordo com o original em inglês, "The Darjeeling Limited".
Porque Darjeeling, afinal de contas, vem a ser o nome do trem em que os irmãos embarcam para sua jornada espiritual pela Índia. Ou seja, eles não viajam até Darjeeling - pois não se trata de lugar algum - e sim por meio de Darjeeling (a locomotiva que os leva).
E, pela duração que os jornais apresentam, Viagem a Darjeeling não traz o curta-metragem que o antecedeu no Festival. Uma lástima, pois não só complementa deliciosamente a "atração principal", como também é melhor que a própria.
Natalie Portman não precisa se envergonhar de tê-lo no currículo. Em virtude das cenas de nudez e de sexo que pararam na internet, ela renegou o curta. Como não consegue enxergar o melhor trabalho que já fez no cinema? Será mesmo que, em são consciência, prefira Star Wars e aquela porcaria com Amos Gitaï ao lindo filme de Wes Anderson?
O que é a natureza, já diria Zé Trindade.
Hoje me sentei para orçar o projeto do curta-metragem (outro, no caso), visando aos editais que saem em breve.
Segui razoavelmente os preços atuais de mercado, e alcancei custo total de R$ 130 mil.
Mas qualquer edital nos reserva R$ 80 mil, no máximo - mesmo valor há anos, embora os salários dos técnicos e os valores dos laboratórios não párem de subir, por exemplo -, de modo que preciso cortar 40% do valor original.
Perderei rapidamente os cabelos que me restam.
Conta a lenda que vários atores e membros da equipe técnica de Poltergeist morreram após a conclusão do filme.
Bom, nada tão dramático, mas ainda durante as filmagens de A Mulher e a Paisagem - meu curta -, praticamente todos os participantes caíram doentes. Eu inclusive.
Para continuar a maldição, leio hoje que o Camelódromo da Uruguaiana, que nos serviu de locação, pegou fogo. A notícia sobre o incêndio está aqui.
Se fosse longa-metragem, acredito que a essa altura um meteoro já teria devastado o Centro do RJ...
Terminaram. Pelo menos no que concerne às imagens, já que ainda falta captar o som (a câmera não faz sinc, então fazemos como Kubrick em A Morte Passou por Perto: gravamos o filme mudo e construímos o áudio inteiro na pós-produção).
Set tranqüilíssimo, tudo na maior calma. Usamos bem o clima chove-não-molha do RJ nestes dias, não tivemos maiores problemas com a câmera na rua. Como senão, apenas o calo que nasceu no meu dedo mindinho de tanto andar para lá e para cá.
Agradecimentos a todos que participaram até aqui (em ordem alfabética): Carolina, Fernando, Juliane, Luiz, Miguel, Natália, Pedro, Thais, Valmir, Vitor e Zé.
Agora, a batalha será pela finalização, pois a UFF mantém o péssimo hábito de não pagar o laboratório - e este, por sua vez, embora revele os filmes (com muito custo!), não libera os negativos até ver a cor do dinheiro.
Para finalizar, assim que as filmagens acabaram, fui roubado. Levaram minha pasta, com alguns trocados dentro, meu celular, e dois livros: Do Amor, de Stendhal, e Medo e Outras Novelas, de Stefan Zweig - que contém justamente A Mulher e a Paisagem, que adaptei. Bom ou mau sinal?
De qualquer forma, preciso recomprá-lo - lá se vão R$ 44 -, além de recuperar todos os números de telefone que perdi.
Ou a maioria, melhor dizendo. Alguns não faço questão...
Acompanho futebol desde 1986, e pelo que lembro estas foram as vitórias do Flamengo que mais me emocionaram:
1. Flamengo 3 x 2 Atlético-MG (Brasileiro 1987): Renato driblando João Leite no Mineirão lotado, após arrancar do meio-campo, na partida semifinal.
2. Flamengo 3 x 1 Vasco (Carioca 2001): Golaço de falta de Petkovic no último minuto, que garantiu o quarto tricampeonato estadual para o rubro-negro.
3. Flamengo 2 x 0 Vasco (Brasileiro 1992): Depois de apanhar na fase de classificação por 4 a 2, o Flamengo se vinga do Vasco no quadrangular que o levaria à final contra o Botafogo. Inesquecível gol de Nélio por baixo das pernas de Régis.
4. Flamengo 3 x 0 Botafogo (Brasileiro 1992): Primeira partida da decisão. Verdadeiro chocolate, em que o favorito Botafogo não viu a cor da bola. Júnior ainda aplicou drible desconcertante em Renato Gaúcho.
5. Flamengo 3 x 3 Palmeiras (Mercosul 1999): Lê - por onde andará? - empata no finalzinho, em pleno Parque Antártica, concluindo passe de calcanhar de Reinaldo. Flamengo volta a conquistar título internacional, 18 anos depois da Libertadores.
6. Flamengo 2 x 0 Vasco (Copa do Brasil 2006): Obina acerta o ângulo, Luisão faz de cabeça, e o Flamengo sai na frente na decisão da Copa do Brasil.
7. Flamengo 1 x 0 Vasco (Carioca 1999): Rodrigo Mendes marca de falta - também no fim, só pra ficar mais gostoso - e garante o título, revertendo a vantagem do empate que o Vasco tinha na final.
8. Flamengo 1 x 0 Inter-RS (Brasileiro 1987): No Maracanã debaixo de chuva, Bebeto dá um carrinho e marca o gol do tetracampeonato nacional.
9. Flamengo 3 x 1 Santos (Brasileiro 1992): Quadrangular semifinal, Flamengo precisava ganhar a qualquer custo, além de torcer pelo Vasco contra o São Paulo. Embora São Januário em peso tenha gritado "entrega", Edmundo destruiu o tricolor - 3 a 0, placar do jogo. No Maracanã, o Flamengo fez sua parte e se classificou à final.
10. Flamengo 4 x 2 Fluminense (Carioca 1991): Primeiro sinal de que a equipe comandada por Carlinhos faria História. Misturando os veteranos Júnior, Gilmar, Uidemar, Zinho e Wilson Gottardo com os garotos Paulo Nunes, Nélio, Marcelinho, Djalminha, Marquinhos, Júnior Baiano, Rogério, Piá e Fabinho, todos egressos das divisões-de-base (em 1990, eles conquistaram a Taça São Paulo de Futebol Júnior), o Flamengo arrasou o Fluminense de "Super-Ézio".

Clube de Regatas do Flamengo, fundado em 15 de novembro de 1895 - felicíssimo aniversário de 112 anos de vida. Rumo à Libertadores.
Vamos à equipe da foto, que disputou a final contra o Botafogo no título do pentacampeonato. Em pé: Gélson, Gilmar, Wilson Gottardo, Charles Guerreiro, Piá e Júnior. Sentados: Júlio César, Gaúcho, Zinho, Fabinho e Uidemar.
O time-base da campanha vitoriosa: Gilmar, Charles Guerreiro, Júnior Baiano, Wilson Gottardo e Piá; Uidemar, Zinho e Júnior; Paulo Nunes, Gaúcho e Nélio. Técnico, Carlinhos.
O jogo terminou 2 a 2, com mais de 122.000 pagantes no Maracanã. Na ida, 3 a 0 Flamengo.
PS: Sabem qual a equipe do tetracampeonato, aquele que São Paulo, CBF e Sport brincam em não reconhecer? É a seguinte: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho (com Aldair no banco!) e Leonardo; Aílton, Andrade e Zico; Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Técnico, Carlinhos outra vez.
O melhor time que vi jogar. Zé Carlos esteve na Copa de 90. Jorginho, Aldair, Leonardo, Bebeto e Zinho foram tetracampeões mundiais em 94. Leandro, maior lateral-direito desde Carlos Alberto Torres, jogou 82. Edinho também participou de 82, além de 86. Andrade e Renato Gaúcho foram convocados para a seleção, embora não tenham disputado copas do mundo.
E Zico... A ficha é extensa demais.
Aos infiéis e hereges, que certamente arderão nas chamas do inferno, um pouco da História rubro-negra: http://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Regatas_do_Flamengo.
"Eu a amara perdidamente! Por que amamos? É realmente estranho ver no mundo apenas um ser, ter no espírito um único pensamento, no coração um único desejo e na boca um único nome: um nome que ascende ininterruptamente, que sobe das profundezas da alma como água de uma fonte, que ascende aos lábios, e que dizemos, repetimos, murmuramos o tempo todo, por toda parte, como uma prece.
Não vou contar a nossa história. O amor só tem uma história, sempre a mesma. Encontrei-a e amei-a. Eis tudo. E vivi duante um ano na sua ternura, nos seus braços, nas suas carícias, no seu olhar, nos seus vestidos, na sua voz, envolvido, preso, acorrentado a tudo que vinha dela, de maneira tão absoluta que nem sabia mais se era dia ou noite, se estava vivo ou morto, na velha Terra ou em outro lugar qualquer."
Li hoje. É de Guy de Maupassant. Belíssimo.
Rede de Intrigas, 1976, de Sidney Lumet.
Soltemos o Howard Beale que existe dentro de nós! Já foram para a janela hoje?
Lembrei da cena porque ontem estreou, nos EUA, Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto, novo filme de Sidney Lumet que, na verdade, é bem melhor que Rede de Intrigas (do mesmo nível de Um Dia de Cão, talvez abaixo só de O Veredito)
Impressionante que Lumet, de quem não se esperava mais nada (já passou dos 80 anos, e há pelo menos duas décadas acumula fracassos de público e de crítica por lá), tenha arranjado fôlego para realizar obra tão impactante. Anda cotadíssimo para o Oscar, e confesso que a possibilidade me agrada bastante.
Assim que chegar no circuito daqui, escrevo a respeito. Mas o título, somente para atiçar um pouco, baseia-se no seguinte provérbio irlandês: "may you be in Heaven five minutes before the devil knows you're dead" (que esteja no Paraíso cinco minutos antes que o diabo saiba que você está morto).
Rachel
Why did you ascribe the words at the beginning of your film Pilgrimage to Thomas a Kempis?
Werner Herzog
I have to make a confession. It is a fake quote that I made up myself. I love to do things like that because I want to have the audiences entering the film at a very, very high level. I do the same in Lessons of Darkness. There is quote by Blaise Pascal which I invented myself. It's as good as Blaise Pascal by the way [laughs]. He would welcome this as being part of his work. Joke aside, it's the same thing. It actually has to do with ecstatic truth again. How do I approach a film, how do I step into a film? I step far out into some sort of an almost ecstatic thought and I impregnate the film with that and we are entering into the film in a different way.
A entrevista completa está em http://www.bbc.co.uk/bbcfour/documentaries/storyville/ask-herzog.shtml.
Herzog realmente se supera: escravizou índios, atravessou a Europa a pé, inventou citações para Blaise Pascal...
http://www.revistamoviola.com/2007/11/02/moradores-do-304/
Não parece, mas vi curtas bons, só que ainda não escrevi sobre eles. Ou filmes de que eu gostei, a diferença existe.
E linkei o site da revista ao lado!
http://www.revistamoviola.com/2007/11/02/sebastiao-o-homem-que-bebia-querosene/
Cobertura Curta Cinema. Porque nem só de longa vive o homem.
Embora Sebastião, O Homem que Bebia Querosene, seja pelo menos 12 minutos maior do que deveria.
Depois que você é abandonado pela mulher que ama, e quando ela te trata como lixo, realmente não sei.
Pareço um zumbi em casa, abatido e desanimado.
Estou lotado de trabalho - escrevendo, produzindo o filme e outras coisas -, mas ainda assim o vazio continua. Essa história de que trabalho ocupa e faz esquecer é a maior mentira.
Conquanto o artigo do Max Ophüls esteja lindo, e o filme igualmente ficará, eu me sinto infeliz. Acreditei novamente em outra pessoa, para terminar destruído como de hábito.
Amores desiludidos são maravilhosos no cinema. Não na vida real. Estou morto por dentro.
Não, não se trata do time. Nem do filme com o mesmo nome do título do post.
Refiro-me ao continente, mais precisamente à América do Sul.
Porque durmo, agora, com ele ao alcance: Flamengo em terceiro, rumo à Libertadores.
Primeiro pentacampeão brasileiro, meu amado rubro-negro ("flamenguista" é a mãe).
Corinthians e Flamengo, talvez, só a partir de 2009. Se o Coringão subir, claro.
E os marginais do Grêmio aprontaram outra, vocês viram? Coisa feia...
Não, não se trata da UFA, pricipal estúdio alemão (e europeu) durante as décadas de 10, 20 e 30.
É interjeição de alívio mesmo, porque acabei de escrever - são 5h43 da manhã - meu artigo sobre Max Ophüls. Pela primeira vez, serei remunerado. Ou seja, vale o esforço.
E falo sobre meu xodó, o que ajuda.
A revista circula no início de 2008. Solto mais informações em breve, porque estou caindo de sono. Mas o projeto, adianto, é mega-bacanoso.