Hoje no Odeon, na sessão de 17h30, será exibido The Aroma of Tea, de Michael Dudok de Wit. Filme extraordinário.
Ainda no terreno da animação, Everything Will Be OK, de Don Hertzfeldt, também está no festival.
Mas a dica principal é a retrospectiva Jan Svankmajer, que conta com três sessões. Depois de Norman Maclaren no Anima Mundi, outro mestre com trabalhos disponíveis no RJ.
Para checar a programação, visitar a página do Curta-Cinema: http://www.curtacinema.com.br
Não houve ano pior para o cinema que 2007. Morreram Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni, Edwarg Yang, Mário Carneiro, Lázlo Kóvacs. Terça-feira, foi-se Deborah Kerr, aos 86 anos - completados em 30 de setembro -, vítima do Mal de Parkinson.
De todas as perdas, é a que, particularmente, mais sinto. Uma deusa das telas, entre as maiores atrizes do cinema. Sou fã incondicional.
Deborah Kerr despontou internacionalmente graças a duas obras-primas de Michael Powell e Emeric Pressburger: o magistral A Vida e Morte de Coronel Blimp, em que ela interpreta vários pápeis - embora todos sejam, na prática, o mesmo: variações da mulher idealizada pelo herói -, e Narciso Negro, como a madre superiora às voltas com a paixões mundanas da comunidade a que serve (não apenas quanto aos desejos da carne, mas em relação ao contato em si com as diferenças culturais).
Nos EUA, claro, é mais lembrada no papel da esposa nada fiel de A Um Passo da Eternidade (e acredito que ela e Burt Lancaster são os únicos pontos altos do filme), no qual protagoniza a arqui-clássica cena do beijo na praia. No entanto, não se pode esquecer de sua presença luminosa em O Rei e Eu - onde consegue se mover com graça insuspeita, apesar dos vestidos gigantescos, e valsar lindamente com Yul Brinner -, ou do dueto com Robert Mitchum em God Knows, Mr. Allison, de John Huston.
Ninguém - NINGUÉM - foi mais bela em Technicolor que Deborah Kerr, como provam Quo Vadis e As Minas do Rei Salomão. Embora ela também fosse insuperável em p&b: se em Júlio César, de Mankiewicz, Portia não recebe lá grande destaque, a Sra. Giddens e o notável Os Inocentes, de Jack Clayton, provocam até hoje calafrios em Alejandro Amenabar, que fez de tudo para copiá-los em Os Outros.
Porém, a despeito das performances anteriores, inesquecível mesmo ela está em Tarde Demais para Esquecer, de Leo McCarey. Duas seqüências do filme:
Cary Grant e Deborah Kerr se encontram com a avó dele, a qual toca a música tema ao piano. Kerr a acompanha, em francês. Delicado e terno jogo de olhares entre os participantes: a cumplicidade dos três, o casal nitidamente apaixonado. A sirene do navio os desperta do encanto, e ao mesmo tempo que anuncia à anciã a partida do neto, prenuncia a nós a tragédia iminente que se abaterá sobre Kerr.
E para (me) matar do coração, a última cena. Eles se reencontram após Kerr ter faltado ao encontro no topo do Empire State. Por que? A revelação se dá quando Cary Grant abre a porta do quarto - reparem no quadro refletido no espelho (ela é a jovem que comprou a pintura). A simplicidade, singeleza e discrição com que McCarey conduz o plano amplifica seu poder emocional devastador. E, no retorno à sala, o diálogo romântico e brilhante: "Se tinha que acontecer com algum de nós, por que tinha que ser com você?", "Não foi culpa de ninguém, apenas minha. Eu estava olhando para cima. Era a coisa mais próxima do céu. Você estava lá". Os que têm coração, choram. E muito.
Olhemos para o alto, a fim de ver Debora Kerr. No mais próximo do céu, onde se encontra agora.
Poeminha que James Mason (que protagonizou The Reckless Moment e Caught) escreveu sobre Max Ophüls:
"A shot that does not call for tracks
Is agony for poor old Max,
Who, separated from his dolly,
Is wrapped in deepest melancholy.
Once, when they took away his crane,
I thought he'd never smile again."
Assisti a todos os filmes de Ophüls disponíveis - menos La Tendre Ennemie, porque está em francês sem legendas -, e meus favoritos são os seguintes, por enquanto:
1. Desejos Proibidos, 1953
2. Conflitos de Amor, 1950
3. Lola Montez, 1955
4. O Prazer, 1952
5. The Reckless Moment, 1949
6. Carta de Uma Desconhecida, 1948
7. Liebelei, 1933
8. De Mayerling a Sarajevo, 1940
9. La Signora di Tutti, 1934
10. Werther, 1938
11. Sem Amanhã, 1939
12. Caught, 1949
Universo Tangente me convidou para participar do seguinte meme:
1) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2) Abra-o na página 161;
3) Procurar a 5ª frase completa;
4) Postar essa frase em seu blog;
5) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6) Repassar para outros 5 blogs.
Bom, é o seguinte... o livro perto de onde estou é A Cor do Invisível, do Mário Quintana, que termina na página 159...
Como deve ser PRÓXIMO, e não posso procurar, não coloco frase nenhuma.
Nada como usar a própria regra para a subverter.
http://rs93.rapidshare.com/files/61830908/ford_tag3.pdf.zip
E aí, já baixaram? Eu já. Filipe indicou, e posto aqui também, o calhamaço de Tag Gallagher sobre John Ford.
Assim que eu tiver tempo, ele será devidamente devorado.
http://www.revistamoviola.com/2007/10/15/alexander-kluge-no-mam/
A partir desta quarta, na Cinemateca do MAM, e até final de outubro, retrospectiva comemorando os 75 anos do alemão Alexander Kluge, o único de seus contemporâneos que Fassbinder respeitava.
Fácil fácil a melhor mostra do ano, já que seus filmes pouco circulam. Eu só vi dois: No Perigo e na Penúria o Meio Termo Leva à Morte e o maravilhoso O Poder dos Sentimentos, que tem uma das frases mais espetaculares do cinema: "O que une um casamento? Um assassinato".
Mas também passam Os Artistas da Cúpula do Circo: Perplexos (Leão de Ouro, batendo Faces de Cassavetes), A Patriota, Alemanha no Outono, Ferdinand o Forte, O Candidato...
http://www.revistamoviola.com/2007/10/05/os-melhores-e-os-piores-do-festival/
Lady Chatterley na cabeça, seguido pelo estranhíssimo Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (que passa na repescagem, aliás...).
Também houve espaço para Ang Lee entre os melhores. Lust Caution também não é nada nada digerível. Bizarra combinação de Douglas SIrk, Fritz Lang e sacanagem.
Nos piores, o equatoriano A Qualquer Momento levou, mas o páreo foi duro: Elvis Pelvis, People, Smiley Face, Cidade em Cio...
As bombas de Kore-eda e de Michel Gondry não podiam faltar, assim como Ken Loach e Michael Moore, que capricharam desta vez. Pena que não encaixei a Palma de Ouro: 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias talvez merecesse, de tão ruim.
http://www.revistamoviola.com/2007/10/03/uma-velha-amante/
Nem todos gostaram. Acredito que a chave do filme está no "século de Laclos", uma vez que Breillat coloca a narrativa me 1835, ou seja, na geração imediatamente seguinte ao do autor de Ligações Perigosas.
Uma Velha Amante é sobre a pós-libertinagem, por assim dizer. Como se estrutura a sociedade conservadora depois de um período de liberação de costumes.
À Prova de Morte, 2007, de Quentin Tarantino - ![]()
Planeta Terror, 2007, de Robert Rodriguez - ![]()
http://www.revistamoviola.com/2007/10/01/a-prova-de-morte-e-planeta-terror/
Gosto mais de Planeta Terror.