maio 31, 2007

Mais Rohmer

Rato de internet dá nisso: pesquisando, tudo se encontra. Pois bem, L'Astrée, romance que Eric Rohmer adapta em Les Amours d'Astrée et de Céladon, foi publicado entre 1607 e 1627, possui cinco partes, 40 histórias, 60 livros e 5399 páginas.

Trata-se de romance pastoril que, embora basicamente acompanhe o amor da heroína L'Astrée por Céladon (personagens baseados na mitologia grega, na qual Astrée é a deusa da justiça), mostra-se extremamente complexo devido às digressões que o estrutura. Influenciou Jean-Jacques Rosseau, Jean de la Fontaine e Molière.

E, como história árcade, se passa na região do Forez, ao norte de Saint-Étienne. Amor, campo, passado, literatura: prato cheio para Rohmer! - Aliás, segue abaixo a crítica de Agente Triplo, em que comparo o filme a A Inglesa e o Duque, (algo me diz que precisarei reescrevê-la em breve...):

Agente Triplo, 2004, de Eric Rohmer - 4estrelas.gif

O letreiro que dá início ao filme informa que este se baseia em fatos reais, de um caso jamais solucionado. Também acrescenta que, por se tratar de ficção, personagens, falas e peripécias foram alteradas ou incluídas. Ironia, claro, do diretor: desde quando há peripécias, ou acontecimentos que fujam do banal, na obra de Eric Rohmer? Em Agente Triplo, irmão gêmeo (não univitelino) de A Inglesa e o Duque, o cineasta investiga novamente as relações entre a História e a vida cotidiana, com o rigor característico – e inacreditável – na construção do espaço cênico e do tempo da narrativa. Devido à recepção problemática de A Inglesa e o Duque na França (recusado pelo Festival de Cannes, e exibido na retrospectiva que homenageou o diretor em Veneza), Eric Rohmer ameaçou desistir do cinema. Ao, felizmente, reconsiderar a decisão, ele retorna com Agente Triplo que, embora não faça parte dos grandes ciclos que marcam sua carreira (Seis Contos Morais, Comédias e Provérbios, Contos das Quatro Estações), forma com o filme anterior dístico que impressiona tanto pela coerência conceitual, quanto pelas diferenças estéticas.

Como em A Inglesa e o Duque, Agente Triplo fala sobre a História (com H maiúsculo mesmo) da França, acerca do desenrolar de fatos decisivos e fundamentais que conduzem a momento histórico específico, quando o corpo social entra em convulsão e se transforma. Se A Inglesa e o Duque enfoca a Revolução Francesa, sobretudo a Era das Antecipações (o "terror", a república jacobina de Robespierre), Agente Triplo se detém sobre a vitória da Frente Popular – aliança de esquerda, capitaneada pelo Partido Comunista - que alcançou o poder nas eleições gerais de 1936, imprensada entre o fantasma da Revolução Russa de 1917 e o stalinismo então vigente na URSS e a ascensão do nazi-fascismo na Alemanha de Hitler. Ambos os filmes, no entanto, filtram a História por intermédio dos relacionamentos afetivos, trabalhando com o impacto dos acontecimentos coletivos no foro pessoal – a amizade e a admiração mútua entre Grace Elliot (Lucy Russell) e o Duque de Orleans (Jean-Claude Dreyfus) no filme anterior, e agora a paixão e a desconfiança entre o casal protagonista de Agente Triplo.

Após os letreiros, Agente Triplo abre com imagens de arquivo – do cine-jornal Pathé – a respeito das eleições francesas de 1932. Em seguida, a câmera de Rohmer (que volta à película, depois do experimento digital de A Inglesa e o Duque) esquadrinha o apartamento de Fiodor (Serge Renko) e Arsinoé (Katerina Didaskalu), enquanto o marido acompanha, pelo rádio, a comparação entre os resultados eleitorais de 1932 e de 1936. Homenageando a seqüência inicial de Janela Indiscreta, Eric Rohmer revela a identidade do personagem principal: através do ícone religioso ortodoxo, dos livros em russo e de retratos do czar e de sua corte, descobre-se que Fiodor integra a aristocracia exilada na França depois da revolução socialista, e que é parte do exército branco que, ameaçado pela guinada do país que o acolhe para a esquerda, combate o governo soviético.

"Revelar a identidade", no entanto, é força de expressão, uma vez que a proposta de Rohmer consiste justamente em confundir o espectador, apostando na radical opacidade de Fiodor: afinal, quem é ele? Marido dedicado e apaixonado que deseja reformar a organização em que trabalha? Espião a serviço dos soviéticos, dada a amizade suspeita que mantém com os vizinhos comunistas? Fascista de conchavo com o regime hitlerista, o qual bombardeia sem piedade a Espanha republicana para colocar Franco no poder? Mais do que somente o drama individual do protagonista, que não pode dizer a verdade sequer à esposa, Fiodor encarna a fragilidade da política européia do entre-guerras, cindida entre o comunismo e o nazismo (que não se diferenciam para o cineasta, que faz questão de mostrar o pacto germano-soviético que dividiu a Polônia), e que convive com resquícios da belle époque que teimam em continuar.

Para gerar e alimentar a dúvida sobre as reais intenções de Fiodor, Eric Rohmer não utiliza truques, ganchos ou reviravoltas de roteiro, tão presentes no cinema atual, de um Christopher Nolan ou Jorge Furtado. Agente Triplo só existe devido à inigualável mise en scéne que o estrutura. Assim, se em A Inglesa e o Duque o cineasta aplica imagens digitais para compor o espaço cênico que seria impossível com a película, com a técnica tradicional (pois não há registro fílmico da França do século XVIII), em Agente Triplo ele retorna à película, na medida em que pretende aproveitar o código imagético já criado pelo cinema para o período de tempo em questão, com o qual contribuem as seqüências de documentário extraídas dos cine-jornais que pontuam a narrativa.

Está em jogo, tanto em A Inglesa e o Duque, quanto em Agente Triplo, a relação entre interior e exterior, ou seja, entre o dia-dia pessoal e emotivo dos personagens e o ambiente sócio-político que os cerca. Enquanto em A Inglesa e o Duque esta relação acontece mediada pelas imagens digitais que representam os exteriores, em planos praticamente contemplativos, em Agente Triplo ela se dá pelas imagens de arquivo que, se situam os protagonistas nos fatos históricos mostrados, ao mesmo tempo os excluem, pois negam a participação direta deles para além dos limites internos (seja do apartamento, seja da casa de amigos em que se hospedam no decorrer do filme). De fato, a omissão de seqüências exteriores em Agente Triplo é quase total: salvo a caminhada de Fiodor pela rua para buscar o carro e o passeio da Arsinoé pelo jardim, o casal permanece confinado, dialogando entre si, participando de festas com outros exilados russos, ou jantando e discutindo arte com os vizinhos comunistas (as vanguardas revolucionários de esquerda em oposição ao academicismo dos quadros de Arsinoé). Atitudes corriqueiras, as quais Rohmer privilegia através de elipses temporais que se concentram nesta banalidade diária que lhe é permitido assistir.

Conversas, diálogos, discussões: todas as ações externas à cena que se presencia são narradas pelos personagens, que apresentam pontos de vista diversos sobre as "peripécias" que se descortinam ao espectador. Rohmer, através dos discursos conflitantes – conflitantes porque não são verdadeiros nem falsos, mas construídos e aplicáveis a determinadas situações –, evita os fatos em prol da dúvida, já que todas as informações acerca das misteriosas atividades de Fiodor provêm de narrações indiretas – personagens que ouviram dizer e que espalham boatos – ou da boca do próprio protagonista, o qual não esconde (ou esconde?) considerar a mentira como dever profissional.

Dessa feita, mesmo o final aparentemente estapafúrdio, completamente arbitrário, serve aos propósitos de Eric Rohmer, visto que preserva o mistério sobre o destino de Fiodor. Para onde ele foi, como escapou? Está vivo, morreu? Nesta farsa brilhantemente encenada, a única certeza que se tem é quanto ao desfecho trágico de Arsinoé: como em A Inglesa e o Duque, o sentimento, em Agente Triplo, também não resiste à politicagem de sua época.

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Eric Rohmer no Laura Alvim - Parte 2

A retrospectiva não é nova - o Grupo Estação a promoveu em 2003, no Odeon. Todos os filmes praticamente estrearam no circuito, salvo exceções (A Padeira do Bairro, A Carreira de Suzane, O Amigo da Minha Amiga). Mas por que não rever Rohmer?

Rohmer acaba de completar 87 anos, em abril, e está novamente filmando: Les Amours d'Astrée et de Céladon, adaptação do romance L'Astrée, de Honoré d'Urfé, autor que viveu entre os séculos XVI e XVII.

Não há informações no IMDB acerca do filme, mas como Rohmer não costuma modernizar suas adaptações literárias, provavelmente teremos outra peça histórica do grande cineasta, para se juntar a Perceval Le Gallois (inédito no Brasil, infelizmente), A Marquesa D'O, A Inglesa e o Duque e... Agente Triplo.

A Inglesa e o Duque e Agente Triplo são os dois últimos longas-metragens de Rohmer (que também fez o curta Le Canapé Rouge em 2005). A Inglesa e o Duque, depois de exibido no Festival do Rio de 2001, acabou estreando justamente quando da retrospectiva do diretor em 2003. Já Agente Triplo, melhor filme do Festival do Rio em 2004, jamais voltou às telas brasileiras. E, com a possibilidade cada vez maior de estarmos assistindo a um novo ciclo de Eric Rohmer, é lastimável que não venha.

Rohmer trabalha a longo prazo, através de ciclos de filmes. Os Seis Contos Morais, as Comédias e Provérbios e os Contos das Quatro Estações integram sua obra, além de eventuais observações isoladas sobre a História. Estanques, pelo menos até agora, uma vez que A Inglesa e o Duque, Agente Triplo e Les Amours d'Astrée et de Céladon estão em seqüência.

Acerca dos filmes programados para a mostra no Laura Alvim, cotações:

- O Signo do Leão, 1959 - 3estrelas.gif
- A Padeira do Bairro, 1963 (Seis Contos Morais) - 4estrelas.gif
- A Carreira de Suzane, 1963 (Seis Contos Morais) - 2estrelas.gif
- A Colecionadora, 1967 (Seis Contos Morais) - 2estrelas.gif
- Minha Noite com Ela, 1969 (Seis Contos Morais) - 4estrelas.gif
- O Joelho de Claire, 1970 (Seis Contos Morais) - 4estrelas.gif
- Amor na Tarde, 1972 (Seis Contos Morais) - 4estrelas.gif
- A Marquesa D'O, 1976 - 4estrelas.gif
- A Mulher do Aviador, 1981 (Comédias e Provérbios) - 4estrelas.gif
- O Casamento Perfeito, 1982 (Comédias e Provérbios) - 3estrelas.gif
- Pauline na Praia, 1983 (Comédias e Provérbios) - 4estrelas.gif
- Noites de Lua Cheia, 1984 (Comédias e Provérbios) - 3estrelas.gif
- O Raio Verde, 1986 (Comédias e Provérbios) - 4estrelas.gif
- As 4 Aventuras de Reinette e Mirabelle, 1987 - 3estrelas.gif
- O Amigo da Minha Amiga, 1987 (Comédias e Provérbios) - 4estrelas.gif
- Conto de Primavera, 1990 (Quatro Estações) - 3estrelas.gif
- Conto de Inverno, 1992 (Quantro Estações) - 4estrelas.gif
- A Árvore, O Prefeito e a Mediateca, 1993 - 4estrelas.gif
- Conto de Verão, 1996 (Quatro Estações) - 3estrelas.gif
- Conto de Outono, 1998 (Quatro Estações) - 3estrelas.gif
- A Inglesa e o Duque, 2001 - 4estrelas.gif

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Eric Rohmer no Laura Alvim - Parte 1

Sexta 1/6
15h45 AS 4 AVENTURAS DE REINETTE E MIRABELLE (99 min)
17h45 CONTO DE VERÃO (113 min)
19h50 AS 4 AVENTURAS DE REINETTE E MIRABELLE (99 min)
21h45 CONTO DE VERÃO (113 min)

Sábado 2/6
13h45 NOITES DE LUA CHEIA (102 min)
15h45 CONTO DE OUTONO (112 min)
17h50 O JOELHO DE CLAIRE (105 min)
19h50 NOITES DE LUA CHEIA (102 min)
21h45 CONTO DE OUTONO (112 min)

Domingo 3/6
13h45 PAULINE NA PRAIA (94 min)
15h45 CONTO DE INVERNO (114 min)
17h50 A MULHER DO AVIADOR (104 min)
19h50 PAULINE NA PRAIA (94 min)
21h45 CONTO DE INVERNO (114 min)

Segunda 4/6
13h45 A COLECIONADORA (89 min)
15h45 CONTO DA PRIMAVERA (112 min)
17h50 A CARREIRA DE SUZANE + A PADEIRA DO BAIRRO (77 min)
19h50 A COLECIONADORA (89 min)
21h45 CONTO DA PRIMAVERA (112 min)

Terça 5/6
13h45 O RAIO VERDE (98 min)
15h45 MINHA NOITE COM ELA (110 min)
17h50 A ÁRVORE, O PREFEITO E A MEDIATECA (105 min)
19h50 O RAIO VERDE (98 min)
21h45 MINHA NOITE COM ELA (110 min)

Quarta 6/6
13h45 UM CASAMENTO PERFEITO (100 min)
15h45 A MARQUESA D'O (107 min)
17h50 O SIGNO DO LEÃO (103 min)
19h50 UM CASAMENTO PERFEITO (100 min)
21h45 A MARQUESA D'O (107 min)

Quinta 7/6
13h40 AMOR A TARDE (99 min)
15h30 A INGLESA E O DUQUE (129 min)
17h50 O AMIGO DA MINHA AMIGA (102 min)
19h50 AMOR A TARDE (99 min)
21h45 A INGLESA E O DUQUE (129 min)

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Novo Fenômeno do Circuitinho?

Na fila para ver a peça Graphic, no CCBB (sim, de vez em quando vou ao teatro...), uma das espectadoras comentava sobre o "adorável filme francês que mostra lindos lugares de Paris... como é mesmo o nome? estreou agora..."

O filme se chama Um Lugar na Platéia, moça. Foi indicado ao Oscar de produção estrangeira e, pelo informe do Grupo Estação que recebi, vai se alastrar por diversas salas na próxima semana.

Depois de Albergue Espanhol e As Invasões Bárbaras, temos mais um exemplar do "cinema de arte" que sobreviverá por longo tempo nas telas cariocas.

Enquanto isso, Maria já saiu de cartaz...

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maio 30, 2007

Jonathan Rosenbaum

http://www.chicagoreader.com/features/stories/moviereviews/2007/070420/

Rosenbaum sobre Black Book, de Paul Verhoeven, e Fora de Jogo, de Jafar Panahi.

Duas frases pinçadas a respeito de Fora de Jogo, que se aplicam a outros filmes também:

- "But what some critics are calling sentimentality may be simple humanism" (para os que adoram taxar qualquer obra que lida com a emoção de meramente piegas).

- "The only thing that separates them from characters in a John Hughes teen comedy is the language they speak and the laws they have to live with. But as long as American exhibitors insist on treating Offside as an art film, which it isn't, part of that point will be lost" (para os que adoram classificar filmes pelo que eles parecem ser, e não se preocupam em analisar a obra em si).

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Irmão Espiritual

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Com o Flamengo não mais na Libertadores, passo a torcer pelo Boca Juniors. Questão de pele: clube de massa, popular. O maior de seu país (sem contar que, um pouco de História, o primeiro uniforme do Flamengo era amarelo e azul, como o do Boca).

Prefiro a equipe argentina ao Santos ou ao Grêmio que, convenhamos... são apenas Santos e Grêmio. Teria que baixar muito de nível para torcer por qualquer um deles. Do maior do mundo para dois times de província, simplesmente impossível.

E espero que a torcida do Grêmio se arrebente durante a avalanche no Olímpico - que, aliás, perdeu o lugar na Copa do Mundo de 2014 para o Beira-Rio!

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Campanha Publicitária

"Los Olvidados, o único SITE de cinema que entende e aprecia Porky's e Max Ophüls".

Realmente me divirto com essas coisas. E o melhor de tudo, não é propaganda enganosa!

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As Piadas Cara-de-Pau de Piratas do Caribe 3

piratas3.1.jpg
Dêem logo o Oscar para Johnny Depp...

Há tempos não gargalhava tanto no cinema como na sessão de Piratas do Caribe: No Fim do Mundo. Mais tarde o defendo o contra a burrice generalizada da crítica, mas por enquanto fico feliz em me lembrar do humor completamente nonsense e cretino do filme. Para mim, a série (o segundo e o terceiro, quando se esqueceram da narrativa) representa o mais perto que o cinema chegou de reeditar Monty Python.

Piadas bobas? Se estivessem em Borat ou similares, fariam o maior sucesso. Mas como é Piratas do Caribe... Da mesma forma que pega mal dizer que estamos diante do filme que talvez melhor fale da fluidez absurda que marca as relações pessoais do novo século...

Ok, vamos às piadas:

- Elizabeth Swann retirando uma enorme garrucha escondida sabe-se lá onde;

- Davy Jones com os pés na bacia d'água, durante o encontro no banco de areia (seqüência que homenageia Sergio Leone, aliás);

- O quebra-pau na confraria dos piratas ("Isso é loucura!" / "Isso é política");

- A eleição para rei dos piratas, em que cada um vota em si mesmo (os tipos são ótimos - francês, africano, hindu, etc -, bem como a falta de criatividade que eles têm em dar nome aos locais);

- O código, Keith Richards, a mãe de Jack Sparrow;

- Barbossa realizando o casamento enquanto mata e xinga seus inimigos;

- Sr. Gibbs dormindo com ursinho de pelúcia;

- A competição entre Barbossa e Sparrow pela maior luneta;

- Os inacreditáveis "grilos falantes" de Jack Sparrow, as versões mais picaretas de vozes da consciência de que me lembro ter visto;

- A primeira seqüência em que Sparrow aparece: linda tirada de sarro com o cinema pretensioso, vazio, intelectualizante e artístico;

- O marujo arrancando o próprio dedo congelado;

- A olhada pela fresta do chão por baixo da roupa de Elizabeth;

- O papagaio que desaparece nas dificuldades (e que retorna, não se sabe como nem de onde, quando tudo fica bem);

- E basicamente todos os demais planos que envolvem Johnny Depp e Geoffrey Rush.

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maio 28, 2007

Os Mestres Loucos, 1955, de Jean Rouch - 4estrelas.gif

Aproveitando a maratona Jean Rouch, crítica de Os Mestres Loucos escrita quando o cineasta morreu, em 2004. Como não preciso mais linkar, coloco o texto direto aqui...

A contestação do modelo civilizatório europeu, através do, a princípio, estranho e violento ritual dos haouka, na Costa do Ouro africana. Em Os Mestres Loucos, Jean Rouch se detém sobre a estratégia fundamental dos povos colonizados para resistir aos colonizadores: apropriar-se dos signos que efetuam a dominação e retrabalhá-los, questionando-lhes a naturalidade, a fim de assegurar a inserção e a sobrevivência em uma sociedade injusta e hostil.

Accra, Costa do Ouro, África. Centro urbano e comercial, sob domínio britânico, cuja efervescência econômica atrai populações de todo continente, ávidas por empregos. No mercado de sal, reúne-se, todo dia, o grupo de trabalhadores africanos que professa a cerimônia dos haouka, filmada por Rouch. Mesmo que pareça bárbaro aos olhos caucasianos de Ocidente, o ritual em questão, porém, nada mais representa que a reação dos personagens ao exemplo de civilização imposto pelo sistema colonial europeu, a saber, branco, cristão, capitalista e tecnológico, enraizado no preconceito racial, na profunda separação entre as classes sociais, no controle do poder político local e na violência militar.

Assim, os deuses haouka, bem como o culto religioso que os envolve, não se originam na tradição cultural africana, mas nascem do contato da África subdesenvolvida e miserável com as potências capitalistas coloniais que a exploram. Deuses da técnica, de uma religião que se alimenta da modernidade, seja ao copiar os protocolos e a estrutura hierárquica dos conquistadores ingleses, seja ao aludir às máquinas características do progresso tecnocientífico: o "maquinista", o "piloto de caminhão", os "sentinelas" (que guardam o lugar sagrado com falsos rifles de madeira), o "general", o "tenente", o "caporal de serviço", a "prostituta" e o "comandante" (que fala e ordena somente em francês, remetendo aos primeiros europeus na Costa do Ouro), além de outras entidades que se referem às transformações da milenar economia de subsistência africana em parte integrante da divisão internacional do trabalho como colônias ricas em mão-de-obra barata e em recursos naturais, cujas cidades experimentam relativa prosperidade graças aos investimentos metropolitanos na melhoria da infra-estrutura para a espoliação comercial.

Possuídos pelas divindades, os integrantes, em estado de transe catártico, reencenam o comportamento e as formas de interação social praticados pelos brancos. Não se trata, contudo, de aculturação, ou seja, da simples duplicação inocente e mecânica da realidade que observam diariamente na convivência desigual com o colonizador, o que confirmaria assim a suposta superioridade racial européia sobre os povos atrasados da África. Uma vez que Jean Rouch estabelece o corte magistral que contrapõe o ritual dos haouka ao da parada militar britânica no qual aquele se baseia, torna-se clara a estratégia de desconstruir o modelo colonial de organização política da sociedade africana, tomado como natural e verdadeiro, para mostrá-lo tão arbitrário quanto qualquer outro, apenas mais um meio de dominação que se valida pela força das armas e pelo poderio financeiro da Europa desenvolvida.

Desterritorializados pela invenção da prática haouka, a rede sígnica (na qual se encontra o ridículo penacho no capacete do comandante militar inglês) que antes reificava a supremacia européia, agora é posta em perspectiva para que os povos africanos constantemente marginalizados pelo processo colonial fundem suas próprias coordenadas dentro da sociedade que, via de regra, os classifica como meros animais, criando, em conseqüência, um novo espaço para o exercício da subjetividade e da liberdade. É ao se identificar com o colonizador – e ao contestá-lo – que o colonizado se legitima e se faz ouvir no meio social excludente em que vive.

Se, em geral, vemos somente a alienação dos dominados, em Os Mestres Loucos Jean Rouch, ao contrário, expõe a estupidez dos dominantes.

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Eu, Um Louco

Jean Rouch estaria comemorando 90 anos, se não tivesse sofrido o acidente de carro que o matou no Níger, país de adoção, em 2004. A Maison de France não deixa passar a data em branco, e programa maratona de 12 horas com filmes do cineasta e etnólogo francês, dia 4 de junho, das 10 da manhã às 10 da noite.

10h - Os Mestres Loucos. Les Maîtres Fous (França, 1955). De Jean Rouch. PB/30’.

Filmado em apenas um dia, o filme revela as práticas rituais de uma seita religiosa. Os praticantes do culto Hauka, trabalhadores nigerienses reunidos em Accra, se reúnem à ocasião de sua grande cerimônia anual. Na ‘concessão’ (…) do grande padre Mountbyéba, após uma confissão pública, começa o rito da possessão. Saliva, tremedeiras, respiração ofegante…são os signos da chegada dos ‘espíritos da força’, personificações emblemáticas da dominação colonial : o cabo da polícia, o governador, o doutor, a mulher do capitão, o general, o condutor da locomotiva, etc… A cerimônia atinge seu ápice com o sacrifício de um cão, o qual será devorado pelos possuídos. No dia seguinte, os iniciados retornam às suas atividades cotidianas.

10h30 - Eu, um Negro. Moi, un Noir (França, 1959). De Jean Rouch. Cores/73’.

Jovens nigerienses deixam sua terra natal para procurar trabalho na Costa do Marfim. Desenraizados em meio à civilização moderna, acabam chegando a Treichville, bairro operário de Abdijam. O herói, que conta sua própria história, se auto-denomina Edward G. Robinson, em honra ao ator americano. Da mesma forma, seus amigos escolhem pseudônimos destinados à lhes forjar, simbolicamente, uma personalidade ideal.

12h - Crônica De Um Verão. Chronique D'Un Été (França, 1960). De Jean Rouch. Cores/90’.

Durante o verão de 1960, o sociólogo Edgar Morin e Jean Rouch pesquisam sobre a vida cotidiana dos jovens parisienses para tentar compreender sua concepção de felicidade. Durante alguns meses este filme-ensaio segue, ao mesmo tempo, tal enquete e também a evolução dos protagonistas principais. Ao redor da questão inicial « Como você vive ? Você é feliz ?», rapidamente aparecem problemáticas essenciais como a política, o desespero, o tédio, a solidão… Finalmente, o grupo interrogado durante a enquete se reúne em torno da primeira projeção do filme acabado, para discuti-lo, aceitá-lo ou rejeitá-lo. Com isso, os dois autores se encontram diante da experiência cruel, mas apaixonante, do « cinéma-vérité », ou seja, do cinema- verdade.

13h30 - A Pirâmide Humana. La Pyramide Humaine (França, 1960). De Jean Rouch. Documentário em PB/80’.

Psicódrama no colégio de Abdjan onde Brancos e Negros convivem sem se frequentar.

15h - A Caça ao Leão com Arco. La Chasse au Lion à L' Arc (França, 1965). De Jean Rouch. Cores/80’.

« Os caçadores Songhay, uma casta hereditária, são os únicos que possuem o direito de matar leões. Aos pastores só é permitido jogar pedras para afugentá-los. Os Peul [povo nômade africano] estimam que o leão seja necessário ao rebanho, e sabem identificar cada leão por seus traços. Mas, quando um leão mata demasiado gado, é preciso suprimi-lo, pois este é um leão assassino » (J. Rouch). De 1957 à 1964, Rouch seguiu os caçadores Gaos da região de Yatakala e o filme retraça os episódios desta caça na qual técnica e magia estão intimamente ligadas : fabricação dos arcos e flechas, preparação do veneno, rastreamento e ritual de sacrifício. Mas o velho leão assassino, denominado « Americano », conseguirá evitar todas as armadilhas, e os Gaos apenas aprisionarão duas de suas fêmeas. Após a caça, os homens contam a seus filhos a história de « gaway gawey », a maravilhosa caça aos leões.

16h30 - Pouco a Pouco. Petit à Petit (França/Níger, 1972). De Jean Rouch. Cores/90’.

Em Ayorou, juntamente com Lam e Illo, Damouré dirige uma empresa de importação e exportação chamada « Pouco a Pouco ». Ao decidir erguer um edifício, ele parte para Paris afim de verificar « como se vive numa casa de vários andares ». Na cidade, ele descobre as curiosas maneiras de viver e pensar da tribo dos parisienses, as quais descreve numas « Cartas Persas » enviadas regularmente a seus companheiros até que estes, crendo-o louco, enviam Lam à sua busca. Em Paris, Damouré e Lam compram um conversível Bugatti e conhecem Safi, Ariane e o « mendigo » Philippe. O grupo decide voltar à África, para construir a nova casa. Mas as duas mulheres e Philippe não chegam a se habituar à nova vida, e partem. Com isto, só resta aos três amigos retirar-se para uma cabana às margens do rio e meditar sobre a « sociedade moderna ».

18h00 - Mosso Mosso, "Jean Rouch como se". Mosso Mosso (França, 1998). De Jean-André Fieshi, Jean Rouch. Cores/73’.

Este encontro com Jean Rouch cabe na exatidão do « como se », no qual se evoca o que se tornou para ele uma regra de vida e de cinema : « Ao se fazer ‘como se’, se está muito mais próximo da realidade ». E, enquanto Jean Rouch, rodeado de seus amigos de sempre, Damouré e Tallou, fingisse filmar um filme entitulado « La Vache Marveilleuse », Jean-André Fieschi conseguia abarcar o homem e seu método ; rende-se, aqui, uma homenagem emocionante imbuída do espírito do cineasta. É em sua relação, próxima e respeituosa, com seus cúmplices africanos de sempre, Damouré et Tallou, que se descobre plenamente o cineasta, inventivo e camaleão, em osmose com a África.

20h30 - Tourou e Bitti. Tourou et Bitti, les tambours d´avant (França, 1971). De Jean Rouch. Documentário em PB/8’.

Uma cerimônia em homenagem ao gênio do mato, filmada em plano-seqüência.

20h45 - Jaguar (França, 1967). De Jean Rouch. Cores/72’.

Filmado em 1955, Jaguar é o primeiro longa-metragem de Jean Rouch, cineasta e etnógrafo que estabeleceu novas fronteiras para o cinema contemporâneo ao borrar os limites entre o documentário e a ficção. Seu filme acompanha três amigos nigerianos em viagem até a Costa do Ouro (hoje Gana), onde buscam fortuna, aventuras e novas oportunidades. As convenções da linguagem documental são subvertidas, dando lugar à fabulação e à construção e uma nova realidade em película. Rouch convida seus heróis a tomar parte ativa na construção do filme, improvisando diante da câmera e reinventando o som, ao gravar os diálogos e a narração em estúdio.

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maio 27, 2007

Cannes 2007

Palma de Ouro: 4 Luni, 3 Saptamini si 2 Zile, de Cristian Mungiu.

Grande Prêmio do Júri: Mogari No Mori, de Naomi Kawase.

Prêmio do Júri: Stellet Licht, de Carlos Reygadas; e Persépolis, de Marjane Satrapi e Vincen Paronnaud.

Diretor: Julian Schnabel, por Le Scaphandre et le Papillon.

Ator: Konstantin Lavronenko, por Izganie.

Atriz: Do-yeon Jeon, por Secret Sunshine.

Roteiro: Fatih Akin, por Auf der Anderen Seite.

Prêmio Especial: Gus Van Sant, por Paranoid Park.

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Fernando Coni Campos no CCBB

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O Mágico e o Delegado ganhou os prêmios de melhor filme, ator, roteiro e atriz coadjuvante no Festival de Brasília.

Hoje, domingo, no CCBB, passa O Mágico e o Delegado, último e possivelmente melhor filme do grande Fernando Coni Campos (dentro da retrospectiva ao fotógrafo Mário Carneiro).

Meia dúzia de filmes, realizados ao longo de uma carreira acidentada - problemas com produtores, com a censura, falta de recursos para novas produções -, bastaram para inscrever este católico fervoroso na História do cinema brasileiro. E religiosidade não falta na seqüência final de O Mágico e o Delegado, quando o cadáver do herói - Nélson Xavier, brilhante -, transforma-se em uma revoada de pássaros, demonstrando que poder algum é capaz de deter o homem livre.

O mágico e sua esposa chegam ao vilarejo miserável esquecido por Deus e tiranizado pela sanha dos coronéis, que têm no delegado a garantia de que a ordem imemorial se manterá para sempre. Os truques são reais: pão se multiplica na mesa dos famintos, dinheiro surge para os pobres. No Brasil da desigualdade, o herói incita a revolução ao clamar por justiça social. Termina preso. E, mesmo humilhado, ofendido, maltratado, resiste, através da magia e, por que não?, da Beleza.

Resistência e Luta. Igualdade e Justiça. Mágica e Beleza. Em suma: Arte. Nélson Xavier é perigoso demais para continuar vivo: deve ser assassinado, a fim de acabar finalmente esquecido. A opção que ele apresenta para os desvalidos, para os que nunca tiveram chance, precisa morrer juntamente com seu corpo inerte.

Mas como apagar a idéia de mudança social e política se este mesmo corpo, antes apodrecendo no caixão, transfigura-se em pombos? Se o mágico ressuscita, apenas com sua força individual, o que dirá dos oprimidos, que podem também atuar na esfera coletiva e pública?

Fernando Coni Campos realizou O Mágico e o Delegado em 1983, final da ditadura militar. Parábola do regime que chegava ao fim? Interpretação reducionista, a meu ver. Embora trate da época, o filme a extrapola e nos alcança com toda sua força: pelo menos enquanto o Brasil continuar desigual e injusto, e até que a liberdade prevaleça sobre os que detêm o poder.

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maio 26, 2007

#19 - Richard Starkey



Econômico. Preciso. Discreto. Simpático. Os elogios ao bateirista da segunda maior banda da história do rock raramente saem dessa esfera, quando são elogios que acompanham o nome de Ringo Starr, que no Brasil, seria Rico Estrella. Injustiça! Ringo era o único rockstar de verdade da banda que serviu de pretexto para os Stones se tornarem os maiores.

Como bom rockstar, Ringo tirava ótimas fotos, catava altas mulheres, tomava altas drogas e tinha coisa mais interessante pra fazer do que - por exemplo - casar com um trubufu oriental, fazer versão de música do Marcelo Camelo ou ser decapitado num acidente automobilístico bizarro.

Ringo teve a genialidade de antecipar o movimento punk e a grandeza de espírito de nunca querer os devidos méritos. Ao perceber que o bateirista da quase maior banda de rock que houve era um cara comum, com senso de oportunidade para estar na banda e nenhuma virtuose, vários jovens mais tardes seguiram a estrada aberta pelo genial bigode dos Fab Four.

Ringo ainda ganha pontos por não ser um Beatle "original de fábrica". Seu precursor na banda, Pete Best, foi chutado antes da fama porque alguém na gravadora percebeu que Ringo era muito mais gato! E olha que na época ele nem tinha esse bigode maroto da foto!

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maio 22, 2007

As Duas Faces da Felicidade

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- Tu ne le salues pas?

- Il ne m'a pas pardonné mon intervention. Il a eu tort. Il a trouvé l'amour, la gloire, la fortune. Est-ce que ce ne n'est pas le bonheur?

- Tout de même, tu m'avoueras que tout cela est bien triste.

- Mais, mon cher, le bonheur n'est pas gai.

Foto e diálogo: Le Plaisir (episódio Le Modèle), de Max Ophüls, adaptado de três contos de Guy de Maupassant.

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Já no E-mule

Pesquisa rápida feita no e-mule. Encontrei, disponíveis:

- O Estrangeiro (Lo Straniero) e Vagas Estrelas da Ursa (Vaghe Stelle Dell'Orsa), de Luchino Visconti.

- La Signora di Tutti e Lola Montez (versão alemã, restaurada), de Max Ophüls.

- The Pied Piper, de Jacques Demy.

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Bons Tempos Voltaram?

Ontem, 127 visitas e 163 page views!

Desde que troquei para o Sitemeter, foram os números mais expressivos do blogue.

Site, quer dizer. Agora chamo de site... Dá mais respeitabilidade, sabem como é...

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maio 21, 2007

Preço de Ingresso

Eu fazia coleção de ingressos de cinemas - abandonei a prática quando o papel ficou tão vagabundo a ponto de desmanchar ao menor contato.

Olhando os ingressos de 10 anos atrás - 1997, como A Vida É Bela -, descubro que uma inteira no cinema (Iguatemi) custava... R$ 3!, no fim de semana.

Dez anos se passaram, e hoje o ingresso sai por R$ 16, considerando também sábado e domingo. Bom, mesmo sem saber qual exatamente a inflação acumulada no período, duvido bastante que chegue aos 500%, mais ou menos o aumento que tivemos nesse período.

Claro, pode-se levar em conta a desvalorização do real, já que muitos dos serviços cinematográficos (laboratório de revelação, equipamentos, etc), são importados e atrelados ao dólar.

Em 1997, o real valia cerca de 0,85 centavos de dólar - ou seja, nosso ingresso custava US$ 3,5, aproximadamente. O preço alcançou R$ 16 reais quando a paridade estava em 3 para 1 - US$ 5,3 por entrada.

Nos últimos 10 anos, aumentou-se o número de salas - em teoria, quanto mais possibilidades, menor o preço. Contudo, a oferta de exibição no Brasil hoje se concentra nos multiplexes (Cinemark, UCI - e mesmo o "circuitinho" é controlado pelo Grupo Estação e pelo Arteplex), que forçam os valores para cima. O combate à meia-entrada, que nossos artistas de cinema e de teatro abraçam com tanto entusiasmo (e como bucha de canhão), trata-se na verdade da luta contra qualquer regulamentação no setor, que no caso específico implica na diminuição dos lucros sobretudo das redes exibidoras.

Ancinav caiu, lei de incentivo ao esporte foi colocada à parte da cultura, classificação na TV está para ser derrubada sob alegações de censura criativa e dos meios de comunicação, meia-entrada indo para o buraco.

Se a meia-entrada acabar, o preço do ingresso diminuirá? Claro que não. Da mesma forma que não cai agora, já que o dólar despencou de R$ 3 para R$ 1,90, barateando enormemente todos os custos.

Sintoma dos novos tempos de dólar baixo: a Labocine não fornece mais sua tabela de preços, ela faz diretamente o orçamento pronto e acabado de todos os serviços. Era de se supor que os valores estivessem mais baixos, indexados que estão à moeda americana - mas a saída do laboratório foi simplesmente impedir o consumidor de saber quanto está pagando.

Não vi cineasta algum reclamando que a Labocine não baixou seus preços, mesmo com a queda (vertiginosa, vejam bem) do dólar. Também não escuto um pio sequer sobre o poder desmedido que a Mega conseguiu, finalizando, produzindo e extrapolando e muito as funções de mero laboratório de revelação. Mas sobre o consumidor - que assiste a filmes muitíssimo mal-lançados no mercado, diga-se de passagem -, todas as responsabilidades, pois usa meia-entrada, enquanto se pagam atores inteiros e não há meia-conta de luz, meia-conta de água...

Não deveria ser o inverso?

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Sorte de Hoje no Orkut

"Venda as suas idéias – elas são completamente aceitáveis".

E não é que são mesmo? O filme está andando surpreendentemente bem até agora (batendo na madeira)!

Se eu soubesse que era bom de papo assim, já teria começado a falar muito antes.

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A Dama de Shangai

Vasculhando o IMDB, descubro que o próximo filme de Wong Kar-Wai, atualmente competindo em Cannes com My Blueberry Nights, será A Dama de Shangai.

A Dama de Shangai, The Lady from Shanghai, adaptação do romance If I Die Before I Wake, de Sherwood King.

Se associou o nome ao clássico de Orson Welles, está corretíssimo - trata-se de nova versão, com Rachel Weisz no papel que outra vez imortalizou Rita Hayworth.

Cabe a pergunta: Kar-Wai, como Welles, tingirá de louro platinado os cabelos de sua estrela? A conferir em 2008, se o filme estiver concluído até lá, claro...

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maio 18, 2007

Canto do Inácio

Nos jornais brasileiros, ninguém escreve melhor do que Inácio Araújo. Ele também possui o blogue O Canto do Inácio, já há algum tempo, e recomendo a leitura atenta dos últimos posts acerta de Batismo de Sangue, Proibido Proibir, Ancine, políticas públicas de incentivo, indústria cinematográfica brasileira...

Misturam indignação, raiva e o verdadeiro amor de quem admira cinema muito além da panacéia atual de nossa produção, que vive a mais insana falta de ousadia e de criatividade de sua História, com filmes que cada vez mais apelam, vejam só, para o... mediano!

Críticas pesadas e que finalmente são feitas, escapando do clima de coleguismo afável entre os profissionais de cinema que transformaram o metié em piquenique no campo, todos felizes, todos quietos, tudo permitido em nome da "diversidade e da liberdade de expressão".

A questão, como aponta Inácio, é simples: não expressam nada. Apenas mofo e naftalina.

Com as exceções, claro, que o próprio indica nos textos (e que cada leitor pode concordar ou não, apontando outros nomes). O site: http://cantodoinacio.blogspot.com/

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Hal 9000

Chegou meu novo computador! Devidamente armado com Adobe Premiere, que me permitirá editar filmes sem sair de casa, e com capturador de imagens.

Agora a parafernalha que eu tinha, e que não funcionava, entra em jogo: microfone, webcam e todos os programas para rodar filmes em DIVXs, acrescidos de gravador de DVD.

Só espero que ele não me deixe trancado do lado de fora do quarto! - I´m sorry, Paul, I´m afraid I can´t do that...

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maio 17, 2007

A Mulher e a Paisagem

“Ela já não me atormentava mais, apenas me rodeava terna, sensual, e não reagi mais contra ela. Apenas fiquei de olhos fechados para não ver nada, para sentir com mais intensidade a natureza, aquela coisa viva que me envolvia. Algo como um pólipo, algo macio e liso e com ventosas, a noite me tocava com mil lábios. Fiquei ali deitado, sentindo que cedia, entregando-me a algo que me rodeava, que envolvia, me abrangia, bebia meu sangue, e pela primeira vez senti nesse abraço úmido e quente algo sensual como uma mulher que se desfaz no suave êxtase da entrega. Sentir um doce horror por estar subitamente tão indefeso nessa entrega de meu corpo inteiro ao mundo, era maravilhoso como aquela coisa invisível tocava minha pele delicadamente e aos poucos penetrava embaixo dela, afrouxando meu corpo e não resisti àquela entrega dos sentidos. Deixei-me deslizar nessa nova sensação e sentir obscuramente, como num sonho, apenas isso: a noite e aquele olhar, a mulher e a paisagem eram uma coisa só, como se essa escuridão fosse ela, e aquele calor que tocava meu corpo fosse do corpo dela desfeito em noite como o meu, e ainda sentindo-a no sonho deslizei por essa onda escura e cálida de sensual perdição”.

Não tenho escrito sobre filmes dos outros porque ando ocupado atualmente com o meu próprio: adaptação do conto / novela (pode ser classificado de ambas as formas) A Mulher e a Paisagem, de Stefan Zweig.

"Die Frau und Die Landschaft", no original em alemão. Filme em 35mm - há motivos para tanto, explico depois -, em pré-produção, que deve ser realizado em agosto e setembro deste ano. Os recursos para os negativos e o laboratório são cortesia da UFF. Para a finalização de som, eterno problema de curtas-metragens daqui, ainda passarei a sacolinha via Lei Rouanet.

Ah, a cultura entrou em greve... esses funcionários públicos não deviam ter o ponto cortado, mas a pele arrancada.

E sim, consegui os direitos com a família do autor para adaptar o conto. Foram compreensivos com minha penúria financeira e os cederam sem ônus.

Continuarei desenvolvendo o filme por aqui em outros posts, quanto a estética, a narrativa e a temática. Só não falo do orçamento, porque me deixa deprimido.

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maio 11, 2007

Hoje, no MAM

Hoje, 18h30, a Cinemateca do MAM apresenta Os Sete Pecados Capitais, de Jean-Luc Godard, Jacques DEmy, Claude Chabrol, Philippe de Broca, Edouard Molinaro, Roger Vadim e Sylvain Dhome. Irei sobretudo pelo Demy e seu episódio "Luxúria", mas Godard, Chabrol e Broca também valem e muito. Vadim e Molinaro dependem do gosto (não fazem parte do meu). Dhome, nunca vi.

Amanhã, 16h, Made in USA. Não está entre os melhores do Godard, é figura fácil nos cinemas desde que reestrou no RJ em 2001, mas para quem ainda não assistiu, obrigatório. 18h, o ótimo Caça às Feras, de Eizo Sugawa. Cópio meio detonada, mas é a única que existe por estas bandas.

Domingo, 16h, O Espião de Corinto, Claude Chabrol de 1967. Grande oportunidade de conhecer uma década pouca exibida da produção chabroliana (o Telecine passou o excepcional Les Bonnes Femmes, Paris Vu Par... esteve na Sessão Cineclube, o Eurochannel veiculou A Besta Deve Morrer e Les Biches, e nada mais). Às 18h, Armadilha do Destino, onde se constata porque do amor mútuo entre os irmãos Coen e Roman Polanski.

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maio 10, 2007

Juiz Ladrão

Juiz, ladrão, porrada é a solução!!!!!

Como pode esse Hector Baldassi de merda vir no Maracanã e roubar o Flamengo? Dois pênaltis não marcados, faltas invertidas, conivência absoluta com o time catimbento do Defensor!

Vai tomar no olho do teu cu, arbitrozinho filho da puta!!!

Reanto reclamando, Renato Augusto chorando... não, mermão, tinha era que chegar dando voadora no safado, cobri-lo de porrada de uma vez, não chegar vivo na Argentina!

Revoltante! Absurdo! Desgraçado! Que termine no quinto dos infernos! Ele e os catimbeiros do Defensor!

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maio 08, 2007

São Judas Tadeu, Rogai por Nós

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São Judas Tadeu, glorioso Apóstolo, fiel servo e amigo de Jesus! O nome de Judas Iscariostes, o traidor de Jesus, foi causa de que fôsseis esquecido por muitos, mas agora a Igreja vos honra e invoca por todo o mundo como patrono dos casos desesperados e dos negócios sem remédio. Rogai por mim que estou tão desolado. Eu vos imploro, fazei uso do privilégio que tendes de trazer socorro imediato, onde o socorro desapareceu quase por completo. Assiste-me nessa grande necessidade, para que eu possa receber as consolações e o auxílio do céu em todas as minhas precisões, tribulações e sofrimentos. São Judas Tadeu, alcançai-me a graça que vos peço: que o Flamengo vença o Defensor por 4 a 0, amanhã no Maracanã, e que assim avance às quartas-de-final da Taça Libertadores da América. Eu vos prometo, ó bendito São Judas Tadeu, lembrar-me sempre deste grande favor e nunca deixar de vos louvar e honrar como meu especial e poderoso patrono e fazer tudo que estiver ao meu alcance para espalhar a vossa devoção por toda a parte. São Judas Tadeu, rogai por nós.

Oração a São Judas Tadeu, padroeiro das causas impossíveis e do Clube de Regatas Flamengo.

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maio 07, 2007

Cherubino e Eu

ladolcevita.jpg

Em italiano:

Voi, che sapete che cosa è amor,
Donne, vedete s'io l'ho nel cor!
Quello ch'io provo, vi ridirò,
È per me nuovo; capir nol so.
Sento un affetto pien di desir,
Ch'ora è diletto, ch'ora e martir.
Gelo, e poi sento l'alma avvampar,
E in un momento torno a gelar.
Ricerco un bene fuori di me,
Non so chi il tiene, non so cos'è.

Sospiro e gemo senza voler,
Palpito e tremo senza saper,
Non trovo pace notte nè di,
Ma pur mi piace languir così!

Em inglês:

You ladies, who know what love is,
See if I have it in my heart!
I'll tell you what I'm going through,
It's new to me; I can't understand it.
I feel a liking full of desire
That now is pleasure, now is agony.
I freeze, and then feel my soul burning,
And in another moment go back to freezing.
I look for a good outside myself,
I don't know who has it, I don't know what it is.

I sigh and groan without wanting to,
I quiver and tremble without knowing it,
I find no peace night or day,
And yet I like suffering this way!

Imagem: A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960), de Federico Fellini

Texto: Ária Voi, Che Sapete (Ária de Cherubino), de As Bodas de Fígaro - música de Wolfgang Amadeus Mozart, libreto de Lorenzo da Ponte.

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maio 06, 2007

Nada Pode Ser Maior

E o número é... 29!!!!!!

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Comemorando o vigésimo-nono título carioca do Clube de Regatas Flamengo. 2 a 2 no tempo normal contra o Botafogo, 4 a 2 nos pênaltis. Bruno, herói. Renato Augusto, que petardo!

Só falta um, tricolores! Estamos chegando, não adianta se esconderem!

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Livrinhos

Adoro os livros da L&PM Pocket e da Martin Claret porque, bem, posso comprá-los!

Ontem, além de finalmente voltar ao cinema (será que a falta de prática explica eu ter gostado tanto de Homem-Aranah 3?), trouxe para casa O Capote e O Retrato, de Gogol; A Morte de Ivan Ivan Ilitch e Senhores e Servos, de Tolstoi; e Contos de Fantasmas, de Daniel Dafoe.

O último é o que me desperta maior interesse. Daniel Dafoe reuniu histórias de assombrações, algumas que ele diz verídicas, outras não. Só a premissa já seria fascinante para mim, que gosto de mistério, horror e picaretagem, se o autor não fosse quem é.

O inglês Daniel Dafoe (1660 - 1731) escreveu As Aventuras de Robinson Crusoé, livro que amo - AMO - alucidamente de paixão. Meu sonho é adaptá-lo para o cinema em Hollywood.

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Saia Justa

Caí na besteira de ver um pedaço do Saia Justa, com Mônica Waldvogel (é isso?), Maitê Proença, Márcia Tiburi e Soninha.

Selton Mello perguntou sobre crítica feita ao Cheiro do Ralo no Globo. E as apresentadoras caíram de pau - sem duplo sentido, não é um post machista, pois burrice independe do sexo - no modelo que o jornal adota atualmente, qual seja: dois ou três críticos produzem textos com visões contrastantes a respeito de filmes no circuito.

"A moda não chegou a São Paulo", "que bom" e comentários similares foram proferidos. Ora, primeiro O Globo nada faz além de copiar o Caderno B do Jornal do Brasil em seu auge, ao longo das décadas de 60 e 70 (muito aquém da qualidade que este possuía, claro), quando ele era fundamental para a discussão artística e cultural no RJ e no Brasil.

Segundo, quanto mais opiniões o leitor tiver para se embasar, melhor, não? Ou o contraditório não enriquece, ensina, instiga, questiona? Sempre achei que posições absolutas e monolíticas deveriam ser combatidas, mas eis que lá estão elas afirmando o contrário na TV.

Para fechar, concluem que (a Betty Lago, na verdade) "São Paulo tem o Merten, o Merten é um gênio", e todas concordam com a afirmação, sem pestanejar.

Como não defendo a censura e acredito na escolha, troquei de canal. Não gosto do Merten e, para os paulistas ou aos que têm acesso aos jornais de São Paulo, sugiro comprar a Folha e ler Inácio Araújo.

Pelo menos para o debate de idéias.

PS: se estivéssemos na Escócia, o Saia Justa seria apresentado por quatro homens?

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Cuma?

Quer dizer que ninguém está gostando de Homem-Aranha 3?

Eu diria que é preciso vê-lo menos com os olhos e mais com os coração.

Mozart já disse, certa vez, que música não é para ser ouvida, mas para ser sentida.

Ou, quando for assisti-lo, pensar mais em Um Plano Simples do que nos demais filmes de Sam Raimi.

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maio 05, 2007

Homem-Aranha 3, 2007, de Sam Raimi - 4estrelas.gif

Já assistiram ao belíssimo Homem-Aranha 3? Ok, estreou apenas ontem, as filas estão imensas, mas vale a pena. O filme me deixou realmente impressionado, e creio ser de longe a melhor transposição dos quadrinhos para o cinema. Bate Hulk de goleada.

Peter Parker cresceu, e Sam Raimi também. Homem-Aranha 3 apresenta o herói na encruzilhada entre a vingança e o perdão, entre sucumbir aos horrores externos e internos ou dominá-los. A escolha, o braço estendido, a noção de que não se está solitário sobre a Terra.

Amargura, violência, incompreensão, assim como ternura, afeto, paixão, filmadas em uma Nova York raras vezes vistas na tela. Como Sam Raimi ama aquela cidade suja! Cada plano, cada enquadramento pulsando cheio de vida! E que brilhante solução, encenar as lutas decisivas no metrô e no'arranha-céu em construção, isto é, nas entranhas da grande metrópole, onde ela se assenta e para onde se ergue!

Simplesmente tocante o nascimento do Homem-Areia, tentando se levantar, trôpego, em sofrimento, enquanto a câmera discorre em travellings circulares a seu redor. A tristeza palpável de quando não consegue segurar o retrato da filha com as mãos que se esfacelam, os olhos repletos de dor que, no entanto, não podemos ver, pois já não mais existem.

A beleza incomensurável de quando, perdoado por Parker (afinal, Flint matou o tio Ben, embora por acidente), o Homem-Areia se dissolve ao sabor do vento, leve, livre.

Muito mais a escrever sobre Homem-Aranha 3. Bruce Campbell de maitre francês? Venon, que apenas amplifica as características já presentes no simbiote (e Eddie Brock Jr. funciona como o espelho de Peter Parker)? A superexposição midiática do herói? A incapacidade de Parker em comprrender os sentimentos de Mary Jane, em se colocar no lugar dela? Bryce Dallas Howard, definitivamente a mulher mais linda do cinema hoje?

Espero dar conta de tudo. Prometo outro texto para a semana, mais concatenado. Mas o principal, sobre Homem-Aranha 3: o peso que a geração anterior teve sobre os jovens, e como eles precisaram romper os laços que os prendiam a ela para finalmente crescer. Peter Parker tem que perdoar o assassino de seu tio. Mary Jane, enfrentar as críticas às suas performances, que parecem feitas por seu próprio pai. Harry, livrar-se da memória opressiva do Duende Verde.

E conseguem. Mas não sem muita dor pelo caminho.

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maio 04, 2007

Orkut

Atualizei meu perfil no Orkut. Não é nada, não é nada mesmo, mas pelo trabalho que deu vale anunciar.

Comprei também um treco muito bonitinho que guarda CDs. Cabem 60 de uma vez, quando abre a tampa ele mesmo puxa o disco que você quer. É pequeno e elimina as várias capinhas de papel e papelão que tinha espalhadas pelo quarto. Nunca vi minha estante tão organizada. Claro, ainda faltam quase 200 CDs, mas já é um começo.

Só espero que o bagulho não quebre. De plástico, parece ser bem frágil. E costumo ser desastrado.

Bom dia, o sol nasceu.

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Ford e Godard

São seis da manhã, e como não consigo dormir fico navegando pela página do IMDB. Achei uma história bacanosa:

Jean-Luc Godard, então crítico da Cahiers du Cinema, pergunta a John Ford:

- O que o trouxe a Hollywood?

Ao que Ford responde, com seu jeito característico:

- O trem.

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Sapatos de Rubi

Wizard_of_Oz_00.jpg

Somewhere over the rainbow
Way up high,
There's a land that I heard of
Once in a lullaby.

Somewhere over the rainbow
Skies are blue,
And the dreams that you dare to dream
Really do come true.

Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far
Behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me.

Somewhere over the rainbow
Bluebirds fly.
Birds fly over the rainbow.
Why then, oh why can't I?

If happy little bluebirds fly
Beyond the rainbow
Why, oh why can't I?

Se pudesse bater três vezes com os calcanhares dos seus sapatinhos de rubi, ou se encontrasse o mágico, o que pediria? Coragem, como o Leão? Um cérebro, como o Espantalho? Ou coração, como o Homem de Lata?

Eu pediria que Kansas fosse igual a Oz. Que aqui embaixo vivêssemos como sobre o arco-íris. Claro que a moral do filme é "there's no place like home", mas não significa que se deva aceitar ou se submeter à realidade torpe e injusta que há, e sim que se pode transformá-la de acordo com nossos sonhos. Estender o mundo intangível e impalpável da Beleza ao visível da matéria, do bruto. Fazê-los crer. Fé. Arte.

Pensei no post a partir de um scrap do orkut deixado pela Alice. Espero que não se importe pela citação, mas costumo dizer quando a idéia parte de outrem. Obrigado.

Imagem: O Mágico de Oz, de Victor Fleming.

Texto: Somewhere Over the Rainbow, música de Harold Arlen e letra de E.Y. Harburg.

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maio 03, 2007

Dreams

Quero amar incondicionalmente, de forma completa, abnegada, pura, dedicada.

Quero uma relação eterna, estável, harmoniosa, feliz, sincera, leal, fiel.

Quero casar, ter filhos, netos, bisnetos, trinetos, construir uma família caudalosa.

Quero morrer em paz ao lado do meu amor, num asilo, bem velhinho, cercado por todas as crianças que nasceram de nós, enquanto já meio cego e surdo procuro meus chinelos e faço tapeçarias.

Espero que haja alguma mulher lendo este post agora, e cujo sonho seja parecido com o meu. E que nos conheçamos. Porque tenho medo de morrer solitário, sem ninguém.

Sempre dependi da bondade de estranhos.

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Para Deus

Levanto meus olhos ao Senhor meu Deus e pergunto:

Quando encontrarei a mulher que me amará e que me deixará amá-la?

Por que colocasteis em mim esta chama que arde sem parar, se me condenais à solidão?

Não sou querido a Vós, como as demais criaturas que criardes, e assim me obrigais a vagar sem destino pela Terra, na eterna procura do amor e da felicidade que não existem para mim?

Quantas lágrimas quereis me ver derramar na dor, no sofrimento e no desespero da vida solitária e vazia que levo, na qual tudo o que sinto não serve para ninguém?

Vós vos divertis. ó Senhor, ao irromper da aurora, quando a cada novo dia constato meu passado miserável e meu futuro sem esperança?

Desgraçado! Eu Vos amaldiçôo por terdes me criado! Quereis me destruir aos poucos, humilhar-me, saborear minha degradação mental, física e emotiva. Pois me fulminai de uma vez, acabai rápido com a tortura a que me submete ao manter-me vivo!

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Site

Estou tentando criar uma página para meu filme na internet, mas... ahã... até agora fui derrotado vergonhosamente pelo geocities.

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maio 02, 2007

Minha Amada Imortal

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Good morning, on July 7

Though still in bed, my thoughts go out to you, my Immortal Beloved, now and then joyfully, then sadly, waiting to learn whether or not fate will hear us - I can live only wholly with you or not at all - Yes, I am resolved to wander so long away from you until I can fly to your arms and say that I am really at home with you, and can send my soul enwrapped in you into the land of spirits - Yes, unhappily it must be so - You will be the more contained since you know my fidelity to you. No one else can ever possess my heart - never - never - Oh God, why must one be parted from one whom one so loves. And yet my life in V is now a wretched life - Your love makes me at once the happiest and the unhappiest of men - At my age I need a steady, quiet life - can that be so in our connection? My angel, I have just been told that the mailcoach goes every day - therefore I must close at once so that you may receive the letter at once - Be calm, only by a calm consideration of our existence can we achieve our purpose to live together - Be calm - love me - today - yesterday - what tearful longings for you - you - you - my life - my all - farewell. Oh continue to love me - never misjudge the most faithful heart of your beloved.

ever thine
ever mine
ever ours

Imagem: Aurora (Sunrise, 1927), de F.W. Murnau.

Texto: Terceira carta de Ludwig Van Beethovem para A Amada Imortal.

Eu te amo, eternamente, desde nunca e até sempre.

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maio 01, 2007

...(...)

Hoje é lua cheia.

Cheia de desgosto, revolta, tristeza, amargura, sofrimento, dor, solidão.

Cheia de desejos, sonhos, promessas, vontades, ânsias, potências.

Cheia de vazio.

Quanto mais brilha, mais fere.

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